O Homem de Dores e o desprezo de Pedro


Quem Pedro representava? A Igreja! O Senhor havia dado a ele essa responsabilidade. Mas, na hora que Jesus mais precisou de Pedro, ele o negou, entregando-o ao desprezo, ainda que tenha sido por alguns momentos. Porém, todos sabem que depois de uma negação legítima tem um choro autêntico.


“Então, prendendo-o, o levaram, e o puseram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe. E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles. E como certa criada, vendo-o estar assentado ao fogo, pusesse os olhos nele, disse: Este também estava com ele. Porém, ele negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço. E, um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és também deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou. E, passada quase uma hora, um outro afirmava, dizendo: Também este verdadeiramente estava com ele, pois também é galileu. E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” (Lucas 22:54-62)


Ignorar nossa história e negar a quem amamos não terá outro resultado a não ser uma vida de pranto, tormentos psíquicos e dores sem diagnósticos, até que as coisas se estabeleçam e se resolvam, até que vejamos um arrependimento autêntico. O Homem de Dores, Jesus, confiou o ministério nas mãos de Pedro (Mateus 16:18-29). Ele representava a Igreja construída na Rocha, uma solidez vocacional, uma estrutura que não seria facilmente quebrada. Mas, a fragilidade de um líder pode gerar um desprezo a quem o legitimou. Quantos eu já vi, e já ouvi, desonrando, cabalmente, quem lhes promoveu ministerialmente, por ambição, ou por questões de “fórum íntimo”, mais, na realidade, ganância de poder, ou rebeldia instalada no caráter. No caso de Pedro foi covardia mesmo, pois um líder covarde desonra seu mentor e traumatiza a liderança que confiava nele. Jesus sofreu com esse desprezo e, com certeza, o choro de Pedro chegou aos ouvidos do Senhor da Igreja.


Todos que entrarem nessa rota de desprezo à liderança, seja por qual for o motivo, com certeza, não terão vida de paz até que tudo se harmonize e, claro, todas essas coisas sejam curadas. Pedro passou por aquele processo de libertação e cura quando o Homem de Dores, Jesus, confrontou-o na pesca milagrosa.


“E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me.” (João 21:15-19).


Não adianta desprezar a chamada, na hora certa o ajuste de contas chega.


Renê Terra Nova

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